"A Origem é a Meta"
Karl Kraus.
A civilização avança; inexoravelmente veloz; rumo ao mais arcaico. Foram nessessários milhares de anos para se poder criar o concreto, que é tão duro quanto uma pedra. Todos os esforços da tecnica foram requisitados para a cosntrução da filmadora, que faz a mesma coisa que um olho humano. A biologia é a matrix organica na qual trabalha os mais avançados meios digitais. Como um trem, a civilização dá voltas em um trilho que leva sempre ao eterno retorno do igual; Aonde a Natureza é superada pela segunda-natureza, que apesar de ser morta e reificada é sua irmã por afinidades mais que eletivas.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Natureza e Civilização
Dada a brutalidade universal da Natureza, alguns momentos particulares da Civilização aparecem quase como milagres. Dada a brutalidade universal da Civilização alguns momentos momentos particulares da Natureza é que aparecem quase como milagres.
domingo, 29 de agosto de 2010
linda como uma boneca
As deformidades e imperfeições que algumas pessoas apresentam diz pouco sobre o caráter delas mesmas, como queria Lombroso. No entanto, essas mesmas deformidades dizem muito sobre a sociedade em que essas pessoas vivem: o corcunda sente nas costas todo peso da realidade moribunda; os esticados denotam que foram apertados de todos os lados; o opulento tem na comida seu único alento; aquele que tem "olho-de-peixe-morto" cansou de olhar os horrores do todo que é torto. Aquilo que apresenta-se perfeito e belo é porque adaptou-se sem problemas às malhas do poder e portanto está morto. A bonequinha, que logo vira atriz de novela, não tem esse apelido só por conta de sua beleza, mas também por que, como o brinquedo infantil que lhe empresta o apelido, a vida , que é sempre pulsional e virulenta, nunca ali penetrou...
terça-feira, 24 de agosto de 2010
A culpa é da sua Mãe
Quem é filho único e pretende fazer uma crítica, mesmo que determinada, da sociedade em que vive, enfrenta embaraços no trato com psicólogos e afins. Segundo os padrões da psicologia barata e mesmo o do senso comum com algum verniz de intelectualidade, aquele que foi tratado, cultivado como uma planta, ou apenas foi tornado único pelo trato com sua mãe, não pode formular um único juizo objetivo sobre a desumanização do existente. Este -- o famigerado filho único -- está aquém de um julgamento sério; foi amado demais. Só aquele que foi exposto, desde sua mais tenra infância a lei da concorrência, aos dissabores de ter que brigar por coisas com seus irmãos ou mesmo aquele que foi rejeitado em troca de um outro preferido, somente esses tem o direito a dizer se o mundo é isto ou aquilo. Nas entrelinhas -- e mesmo de modo manifesto -- as pessoas e os psicólogos dizem bem na sua cara: "é tudo culpa da sua mãe".
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Lei, Kafka e Pai
A "Lei" tão postulada e discutida pela psicanálise, assemelha-se muito à metáfora do livro de Franz kafka "O Processo". Ela é tão arcaica e guardada por tantos porteiros-soldados que é quase impossível chegar a sua verdade. Isto não é fortuito, já que sua procedência é suja, baixa, e obscena. Talvez os soldados a guardem sejam os mecanismos de defesa do sujeito, que resguardam não só a Lei, mas protegem também o individuo de entrar em contato com a ignominia da Lei. Por sua herkunft, a Lei viu-se obrigada ao longo da história a apresentar-se sempre com um invólucro de algo sacro como por exemplo Deus, Pai, Justica, Juiz etc..Talvez kafka, que não pode ser reduzido a categorias psicológicas, tenha descoberto a verdade da Lei, mas por respeito a seu Pai, a manteve trancada a sete-chaves. Suponho que "O Processo" seja uma metáfora dos processos inconscientes, que ocorrem à revelia do sujeito, e que quase sempre acabam por condená-lo sem reservas.
domingo, 15 de agosto de 2010
Quem é nosso Gênio?
Sou um homem medíocre. Mas sou um homem medíocre com pretenções no mundo do Espírito; pior, pro Espírito. Mas o que pode um homem medíocre como eu fazer pelo Espírito? Só há na verdade uma coisa que um homem medíocre possa fazer para sair de sua mediocridade: reconheçer o Gênio. Eis a única contribuição que posso dar ao Espírito de nossa Época, se é que nossa época ainda tem Espírito.
Mas quem é o Gênio? O Gênio é aquele que, mesmo sem estudar nas melhores escolas, sem ter sido criado nos meios mais refinados, sem ter escutado Alban Berg e Schoenberg na sua infância, sem ter sido levado pelas mãos de seus pais a museus, mesmo não tendo quase nenhuma condição objetiva, faz o milagre da cultura. Isto é o Gênio: aquele que num gesto quase que d'um Moisés tira água da pedra.
Eu julgo ter encontrado esse Gênio, seu nome é E.L -- como E.L é um homem muito reservado, e eu respeito sua reserva, por enquanto o chamarei apenas por suas iniciais--ele mora em D., interior do Brasil.
Há muitos anos que conheço E.L. Sempre o tive em altíssima conta, sempre o considerei um homem de inteligência incomum, astuto, no bom sentido; e o melhor: E.L nunca respeitou a divisão social do trabalho no mundo do Espírito. História, Sociologia , Filosofia, Arte e Literatura, tudo foi alvo de seu faminto interesse, sendo que esse traço de seu carater sempre considerei seu aspecto mais distinto. E.L é um erudito, mas diferentemente dos eruditos, nele a cultura vive, pulsa, da piruetas; nada se reifica.
Como ia dizendo, conheço o homem E.L há muitos anos; mas o Gênio E.L só vim a conheçer semana passada. E como deu-se esse encontro com o Gênio? Bem, como disse lá em cima, tenho pretensões no mundo do Espírito, por isso quando fui à sua casa, no interior do Brasil, levei comigo quatro ou cinco aforismos de minha autoria. Lá, depois de vinho e muito canhamo, expus meus escritos. E.L e sua esposa F. tiveram a paciência de ouvir minha lenga-lenga. No outro dia, acho que inspirado pela minha audácia de expor coisas tão pueris, E.L com muito custo deixou escapar uma frase de sua autoria. Confesso que na hora foi bem dificil pra mim entender o que ele realmente queria dizer. E.L não gosta de explicar seus escritos, e tudo ficou por isso mesmo. Na volta pra minha casa em Maringá, vim tentando decifrar o que aquela frase significava, depois de indas e vindas no pensamento a coisa revelou-se pra mim. Antes que eu continue falando, devo confessar uma coisa: ha alguns anos atras, eu e E.L fizemos um curso de Estética juntos, a avaliação deu-se em forma de trabalho. E.L obviamente tirou 10 em seu trabalho, quando vi minha nota-- 9,5 -- subiu-me um amargor na boca, era meu ser sendo tomado pelo pecado capital da inveja. Pois bem, só contei essa pequena história pra dizer que, ao entender sua frase, o mesmo amargor subiu-me novamente. Como esse ser ousa escrever tão melhor que eu? -- sim, eu sou um ser tomado de uma megalomania tremenda -- e, pior, como ousa escrever tão bem e não me mostrar tudo? dar-me só uma frase, se eu sofro de delírio de grandeza? E.L certamente tem traços de Sadismo. Resumindo: eu cheguei a D. pensando ter em meus dedos o Anel dos Nibelungos e só tinha merda. E.L ao nos mostrar toda merda do mundo, tem em suas maõs o Ouro do Reno.
Ainda falta falar de E.L como ator e títere.....mas isso fica pra uma outra ocasião.
Mas quem é o Gênio? O Gênio é aquele que, mesmo sem estudar nas melhores escolas, sem ter sido criado nos meios mais refinados, sem ter escutado Alban Berg e Schoenberg na sua infância, sem ter sido levado pelas mãos de seus pais a museus, mesmo não tendo quase nenhuma condição objetiva, faz o milagre da cultura. Isto é o Gênio: aquele que num gesto quase que d'um Moisés tira água da pedra.
Eu julgo ter encontrado esse Gênio, seu nome é E.L -- como E.L é um homem muito reservado, e eu respeito sua reserva, por enquanto o chamarei apenas por suas iniciais--ele mora em D., interior do Brasil.
Há muitos anos que conheço E.L. Sempre o tive em altíssima conta, sempre o considerei um homem de inteligência incomum, astuto, no bom sentido; e o melhor: E.L nunca respeitou a divisão social do trabalho no mundo do Espírito. História, Sociologia , Filosofia, Arte e Literatura, tudo foi alvo de seu faminto interesse, sendo que esse traço de seu carater sempre considerei seu aspecto mais distinto. E.L é um erudito, mas diferentemente dos eruditos, nele a cultura vive, pulsa, da piruetas; nada se reifica.
Como ia dizendo, conheço o homem E.L há muitos anos; mas o Gênio E.L só vim a conheçer semana passada. E como deu-se esse encontro com o Gênio? Bem, como disse lá em cima, tenho pretensões no mundo do Espírito, por isso quando fui à sua casa, no interior do Brasil, levei comigo quatro ou cinco aforismos de minha autoria. Lá, depois de vinho e muito canhamo, expus meus escritos. E.L e sua esposa F. tiveram a paciência de ouvir minha lenga-lenga. No outro dia, acho que inspirado pela minha audácia de expor coisas tão pueris, E.L com muito custo deixou escapar uma frase de sua autoria. Confesso que na hora foi bem dificil pra mim entender o que ele realmente queria dizer. E.L não gosta de explicar seus escritos, e tudo ficou por isso mesmo. Na volta pra minha casa em Maringá, vim tentando decifrar o que aquela frase significava, depois de indas e vindas no pensamento a coisa revelou-se pra mim. Antes que eu continue falando, devo confessar uma coisa: ha alguns anos atras, eu e E.L fizemos um curso de Estética juntos, a avaliação deu-se em forma de trabalho. E.L obviamente tirou 10 em seu trabalho, quando vi minha nota-- 9,5 -- subiu-me um amargor na boca, era meu ser sendo tomado pelo pecado capital da inveja. Pois bem, só contei essa pequena história pra dizer que, ao entender sua frase, o mesmo amargor subiu-me novamente. Como esse ser ousa escrever tão melhor que eu? -- sim, eu sou um ser tomado de uma megalomania tremenda -- e, pior, como ousa escrever tão bem e não me mostrar tudo? dar-me só uma frase, se eu sofro de delírio de grandeza? E.L certamente tem traços de Sadismo. Resumindo: eu cheguei a D. pensando ter em meus dedos o Anel dos Nibelungos e só tinha merda. E.L ao nos mostrar toda merda do mundo, tem em suas maõs o Ouro do Reno.
Ainda falta falar de E.L como ator e títere.....mas isso fica pra uma outra ocasião.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Epistemologia Pornográfica
O ocidente tem uma epistemologia pornográfica. Isto quer dizer que só nos damos por satisfeitos quando devassamos o objeto de nosso interesse por completo, quando fazemos esse objeto entregar todos os seus segredos, quando dissecamos e destrinchamos ele por completo. Isto tem reverberaçoes em nossa vida sexual. Só nos exitamos quando vemos ate o útero da mulher amada, só quando ela nos entrega todos seus pormenores é que nos damos por saciados. Só os ocidentais poderiam ter inventado a pornografia. A "escrita sobre prostitutas" é isso: é o revelar cada detalhe e minúcia do ato sexual. Isto tem problemas e para enumerá-los vou contar uma anedota do Goethe...Era uma vez um homem que observava uma cachoeira. Nela, ele via uma misturas de cores, branco, amarelo, vermelho e por aí vai. Então o homem quis obervar todas as cores que saíam da cachoeira. Fez o maior esforço e dominou todas elas. Ao fim do seu processo, ele só via a cor preta, todo aquela miríade de cores desapareceu. Este é o resultado do domínio total sobre um objeto, ele perde a graça... Ainda poderia citar o meu amigo Nietszche, que no seu livro "O nascimento da tragédia" no capítulo 9 , diz que a natureza não quer ser conhecida e, para aqueles que se aventuram, existe uma maldição guardada, vide o pobre édipo, que ao decifrar o enigma da natureza, posto pela esfinge, só se fode....
sábado, 13 de março de 2010
Drama Barroco/A Procissão dos Corações Melancólicos
Agora há pouco estava escutando minha banda favorita, o The Black heart Procession. Uns trinta minutos antes estava lendo um livro fantástico sobre Benjamim, chamado "Tradução e Melancolia". Quarenta e pouco minutos depois estava fumando Haxixe na cozinha.
Toda essa mistura resultou numa idéia/tradução genial. Isto por que eu sempre fui encanado com a tradução do nome da minha banda favorita ai. A tradução literal seria "A procissão dos corações negros", mas eu nunca gostei desse título. Lendo o livro do Benjamim eu me deparei com um capítulo intitulado "tradução luciferiana"; este "método" é utilizado por Haroldo de Campos em suas traduções de Holderlim. A tradução luciferiana consiste em se livrar da tradução servil, literal, para adentrar numa tradução-criação, numa tradução ativa ao invés de passiva.
Lá estava eu, sob o efeito do haxixe, tendo ainda em mente a tradução luciferiana e ouvindo os The black heart, quando comecei a pensar sob o título da banda. Ouvindo o som deles, que é extremamente triste e melancólico, eu sempre crio uma imagem de enterro, sabe, pessoas andando bem devagar e segurando um caixão; e foi quando um pensamanto sorrateiro me invadiu e eu pensei: por que no lugar de "corações negros" eu não traduzo por "corações em luto"? Pela teoria da tradução luciferiana eu estou completamente livre da obrigação de uma tradução literal.
Logo depois, voltei ao tema Benjamim, e começei a pensar sobre "A Origem do Drama Barroco Alemão", mais precisamente na "alegoria barroca", que é um tema que gosto muito. Os dramaturgos alemães barrocos, segundo Benjamim, tinham uma visão de mundo marcada pela dor da finitude, pela consciencia aguda da morte, pelo tema da história com ruína e fragmento. Isto me fez pensar como o próprio Benjamim ainda é um escritor-filosofo barroco. Logo começei a pensar numa alegoria criada por um amigo, enquanto eu lhe explicava o tema barroco. Disse meu amigo que pensou numa imagem de "um homem carregando um saco ossos". Começei a pensar na melancolia envolvida em tudo isso, este sentimento que tem sua origem no sentimento de perda, numa especie de "spleen", um pen-dor pelas coisas que passam. Logo voltei ao tema da tradução do nome da banda , e pensei que a mellhor tradução pare ela seria " A Procissão dos Corações Melancólicos", já que a forma de suas músicas são arrastadas como a marcha de um enterro. Pensei também que eles são uma espécie de banda barroca comtemporânea, pois tudo deles tem esse pendor melancólico, triste, "uma dor de não sei o quê". Mais aí o efeito do haxixe começou a passar e não tiva mais idéias legais.
Toda essa mistura resultou numa idéia/tradução genial. Isto por que eu sempre fui encanado com a tradução do nome da minha banda favorita ai. A tradução literal seria "A procissão dos corações negros", mas eu nunca gostei desse título. Lendo o livro do Benjamim eu me deparei com um capítulo intitulado "tradução luciferiana"; este "método" é utilizado por Haroldo de Campos em suas traduções de Holderlim. A tradução luciferiana consiste em se livrar da tradução servil, literal, para adentrar numa tradução-criação, numa tradução ativa ao invés de passiva.
Lá estava eu, sob o efeito do haxixe, tendo ainda em mente a tradução luciferiana e ouvindo os The black heart, quando comecei a pensar sob o título da banda. Ouvindo o som deles, que é extremamente triste e melancólico, eu sempre crio uma imagem de enterro, sabe, pessoas andando bem devagar e segurando um caixão; e foi quando um pensamanto sorrateiro me invadiu e eu pensei: por que no lugar de "corações negros" eu não traduzo por "corações em luto"? Pela teoria da tradução luciferiana eu estou completamente livre da obrigação de uma tradução literal.
Logo depois, voltei ao tema Benjamim, e começei a pensar sobre "A Origem do Drama Barroco Alemão", mais precisamente na "alegoria barroca", que é um tema que gosto muito. Os dramaturgos alemães barrocos, segundo Benjamim, tinham uma visão de mundo marcada pela dor da finitude, pela consciencia aguda da morte, pelo tema da história com ruína e fragmento. Isto me fez pensar como o próprio Benjamim ainda é um escritor-filosofo barroco. Logo começei a pensar numa alegoria criada por um amigo, enquanto eu lhe explicava o tema barroco. Disse meu amigo que pensou numa imagem de "um homem carregando um saco ossos". Começei a pensar na melancolia envolvida em tudo isso, este sentimento que tem sua origem no sentimento de perda, numa especie de "spleen", um pen-dor pelas coisas que passam. Logo voltei ao tema da tradução do nome da banda , e pensei que a mellhor tradução pare ela seria " A Procissão dos Corações Melancólicos", já que a forma de suas músicas são arrastadas como a marcha de um enterro. Pensei também que eles são uma espécie de banda barroca comtemporânea, pois tudo deles tem esse pendor melancólico, triste, "uma dor de não sei o quê". Mais aí o efeito do haxixe começou a passar e não tiva mais idéias legais.
Flerte com o Diabo
Para
Os turrões que não gostam de blog de citações.
Para quem é da igreja Frankfurtina do Reino da Negatividade, existem eventos que são como flertes com i Diabo, talvez para correligionarios de até 30 e poucos anos, o pior deles talvez seja o show de Rock. Agente sabe que é ruim, sabe que é um engodo, sabe que é ideologico, sabe que o Rock e o Jazz, são a trillha sonora da sociedade industrial, e ainda sim agente vai, grita, canta, gosta. Minha pergunta é: por que fazemos isso? porque nos intregamos de corpo e alma a esse espetaculo? por que ele nos é tão caro?
Seriam as luzes, que nos conduzem de maneira behavorista, a piscar freneticamente, que nos levam a essa loucura? Seriam os musicos, com suas pintas de rebeldes movendo-se como epileticos? Seria a musica, naquela batida 4x4, que nos hipnotiza?
A palheta de platisco bate na corda de aço, que por sua vez manda um impulso eletrico que passa pelos pedais de distorção, que por sua vez viajam pelas caixas de som ate baterem em meus ouvidos e ativarem uma corrente eletrica que se reverbera pelo meu corpo todo.
Pronto, é tudo fisiologia.
Obs: esse texto é fruto de uma incursão antropologica ao Show do Cachorro Grande.
Os turrões que não gostam de blog de citações.
Para quem é da igreja Frankfurtina do Reino da Negatividade, existem eventos que são como flertes com i Diabo, talvez para correligionarios de até 30 e poucos anos, o pior deles talvez seja o show de Rock. Agente sabe que é ruim, sabe que é um engodo, sabe que é ideologico, sabe que o Rock e o Jazz, são a trillha sonora da sociedade industrial, e ainda sim agente vai, grita, canta, gosta. Minha pergunta é: por que fazemos isso? porque nos intregamos de corpo e alma a esse espetaculo? por que ele nos é tão caro?
Seriam as luzes, que nos conduzem de maneira behavorista, a piscar freneticamente, que nos levam a essa loucura? Seriam os musicos, com suas pintas de rebeldes movendo-se como epileticos? Seria a musica, naquela batida 4x4, que nos hipnotiza?
A palheta de platisco bate na corda de aço, que por sua vez manda um impulso eletrico que passa pelos pedais de distorção, que por sua vez viajam pelas caixas de som ate baterem em meus ouvidos e ativarem uma corrente eletrica que se reverbera pelo meu corpo todo.
Pronto, é tudo fisiologia.
Obs: esse texto é fruto de uma incursão antropologica ao Show do Cachorro Grande.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Pecado Original
Para
Jose Francisco Aguiar
Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido ?
Será essa , se alguém a escrever,
A verdadeira história da Humanidade.
O que há é só o mundo verdadeiro, e não nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está ai.
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
Que é daquela nossa verdade - o sonho a janela da infancia ?
Que é daquela nossa certeza- o propósito a mesa do depois ?
Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela da sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois do jantar.
Que é da minha realidade, que só tenho a vida ?
Que é de mim, que sou só quem existo?
Quantos Césares fui!
Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligencia, e com alguma razão-
Meu deus, meu deus, meu deus
Quantos Césares fui!!
Quantos Césares fui!!
Quantos Césares fui!!!
Fernado Pessoa
Jose Francisco Aguiar
Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido ?
Será essa , se alguém a escrever,
A verdadeira história da Humanidade.
O que há é só o mundo verdadeiro, e não nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está ai.
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
Que é daquela nossa verdade - o sonho a janela da infancia ?
Que é daquela nossa certeza- o propósito a mesa do depois ?
Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela da sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois do jantar.
Que é da minha realidade, que só tenho a vida ?
Que é de mim, que sou só quem existo?
Quantos Césares fui!
Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligencia, e com alguma razão-
Meu deus, meu deus, meu deus
Quantos Césares fui!!
Quantos Césares fui!!
Quantos Césares fui!!!
Fernado Pessoa
domingo, 7 de março de 2010

Para
Eduardo Lenzi
Há um quadro de Klee, que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irrestivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Vida do Trabalhador
Amou daquela vez como se fosse a últimaBeijou sua mulher como se fosse a últimaE cada filho seu como se fosse o únicoE atravessou a rua com seu passo tímidoSubiu a construção como se fosse máquinaErgueu no patamar quatro paredes sólidasTijolo com tijolo num desenho mágicoSeus olhos embotados de cimento e lágrimaSentou pra descansar como se fosse sábadoComeu feijão com arroz como se fosse um príncipeBebeu e soluçou como se fosse um náufragoDançou e gargalhou como se ouvisse músicaE tropeçou no céu como se fosse um bêbadoE flutuou no ar como se fosse um pássaroE se acabou no chão feito um pacote flácidoAgonizou no meio do passeio públicoMorreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o últimoBeijou sua mulher como se fosse a únicaE cada filho seu como se fosse o pródigoE atravessou a rua com seu passo bêbadoSubiu a construção como se fosse sólidoErgueu no patamar quatro paredes mágicasTijolo com tijolo num desenho lógicoSeus olhos embotados de cimento e tráfegoSentou pra descansar como se fosse um príncipeComeu feijão com arroz como se fosse o máximoBebeu e soluçou como se fosse máquinaDançou e gargalhou como se fosse o próximoE tropeçou no céu como se ouvisse músicaE flutuou no ar como se fosse sábadoE se acabou no chão feito um pacote tímidoAgonizou no meio do passeio náufragoMorreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquinaBeijou sua mulher como se fosse lógicoErgueu no patamar quatro paredes flácidasSentou pra descansar como se fosse um pássaroE flutuou no ar como se fosse um príncipeE se acabou no chão feito um pacote bêbadoMorreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormirA certidão pra nascer e a concessão pra sorrirPor me deixar respirar, por me deixar existir,Deus lhe paguePela cachaça de graça que a gente tem que engolirPela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossirPelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,Deus lhe paguePela mulher carpideira pra nos louvar e cuspirE pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrirE pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,Deus lhe pague
Chico Buarque
construção
Amou daquela vez como se fosse o últimoBeijou sua mulher como se fosse a únicaE cada filho seu como se fosse o pródigoE atravessou a rua com seu passo bêbadoSubiu a construção como se fosse sólidoErgueu no patamar quatro paredes mágicasTijolo com tijolo num desenho lógicoSeus olhos embotados de cimento e tráfegoSentou pra descansar como se fosse um príncipeComeu feijão com arroz como se fosse o máximoBebeu e soluçou como se fosse máquinaDançou e gargalhou como se fosse o próximoE tropeçou no céu como se ouvisse músicaE flutuou no ar como se fosse sábadoE se acabou no chão feito um pacote tímidoAgonizou no meio do passeio náufragoMorreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquinaBeijou sua mulher como se fosse lógicoErgueu no patamar quatro paredes flácidasSentou pra descansar como se fosse um pássaroE flutuou no ar como se fosse um príncipeE se acabou no chão feito um pacote bêbadoMorreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormirA certidão pra nascer e a concessão pra sorrirPor me deixar respirar, por me deixar existir,Deus lhe paguePela cachaça de graça que a gente tem que engolirPela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossirPelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,Deus lhe paguePela mulher carpideira pra nos louvar e cuspirE pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrirE pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,Deus lhe pague
Chico Buarque
construção
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Carnaval
A festa da carne, da bebida, da música, do sexo... culto ao deus Dionísio. Como não amá-lo??. Escrevo na eminência de uma festa de carnaval... tudo se parece com um encontro amoroso: a mesma ansiedade, mesmos receios, uma deliciosa eletricidade no ar, ics se comunicando. Viva a festa, viva a bebida, viva o sexo desenfreado, viva Dionísio, que a cada ano renasce em nossos corpos em êxtase , em embriaguês. Amo aqueles que se consomem como gravetos em uma fogueira, amo aqueles que por quatro dias vivem como o além-do-homem, a criança-deus, que só cultua o deus que sabe dançar ou melhor que sabe sambar.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Bandeira branca
Bandeira branca, amor Não posso mais. Pela saudade, Que me invade eu peço paz. Bandeira branca, amor Não posso mais. Pela saudade, Que me invade eu peço paz. Saudade, mal de amor, de amor Saudade, dor que dói demais. Vem, meu amor Bandeira branca eu peço paz.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
miscelânea
malboro solidão sabado jazz eu diversão nada celavie grana uma bosta rosana gente diversão nós bar gyatfagajhasbsisisjsnkjshisjhss todas possibilidades falha cocaína sexo tv telefones nada becket andar sozinho miles davis poker huakoaoahaigaiainaijoiaiyauaauagbahaaphahcds
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